Carlos Monteiro de Sousa Ramos de Las Heras
Fiz
a minha escola primária em Angola, mais precisamente em Malange.
Meu
pai era técnico da Companhia do Manganés de Angola, nas minas da Quitota.
Porque
Malange distava cerca de 100
km das minas da Quitota, por picadas (estradas abertas
na mata) muito difíceis de percorrer, os meus pais nem sempre me podiam visitar
com a frequência que desejavam e das vezes que o fizeram, depararam-se comigo a
comandar um grupo de miúdos como eu, em guerras de polícias e ladrões ou de
índios e cowboys.
Resolveram
por isso, enviar-me para Castelo Branco, para ficar junto á minha avó paterna e
assim poder estar mais vigiado e em companhia de família.
É
assim que em Julho de 1951 parto de Luanda para Lisboa
Em,
Castelo Branco fiz a quarta classe e o exame de admissão ao Liceu, na então “Escola
do Castelo”, ano lectivo 1951/52
Entrei
no ano lectivo 1952/53 no Liceu Nuno Álvares para o 1º ano
Como
todos, também tive de pertencer à Mocidade Portuguesa.
Não
tive boas notas e não passei de ano.
Reprovei.
Habituado
a África, á liberdade e aos grandes espaços, sentia-me enclausurado naquele
grande edifício que era o Liceu Nuno Álvares.
Para
mim era melhor descobrir as coisas novas de uma cidade, a que não estava
habituado, como um café, um parque, as montras das lojas e as ruas, do que ir às
aulas.
Além
das faltas, não me adaptei ao estudo e á vida liceal.
Em
1953, meus pais vieram de férias a Portugal e perante as queixas da minha avó
de que não conseguia controlar a minha rebeldia e traquinices, a conselho do
reitor do Liceu, Dr. Sebastião Morão Correia, que tinha sido colega de meu pai,
Fui internado no “Instituto Vaz Serra” em Cernache de Bonjardim à época um dos
melhores e dos mais afamados colégios de Portugal.
Lá
foram os meus pais a Cernache fazer a minha inscrição para internato no
“I.V.S.” e trouxeram a relação do enxoval que era necessário eu levar:
Farda
de passeio
Farda
de trabalho
Samarra
Lençóis
Cobertores
Fronhas
Toalhas
de rosto e banho
Etc.






